O rádio sempre a tocar um coração avariado que não posso desligar.

19 Julho 2009

Garganta de Vento

Kirsty Mitchell


e penso demais em viver
e penso demais nas pessoas
para estar sempre contente
de só escrever vento

Boris Vian


so let me drown in those precious arms
with all my untouchabilities washed away


Descreve-me. Conta-me uma história sem que grites uma mentira. Sem que dês uma facada no mundo; em mim. Cá dentro – onde as palavras não chegam – quantas horas de solidão? Uma perdição desconhecida – e é como quem diz febre excessiva – que ofereça de beber às lágrimas. Ninguém pode saber que o dia começa tarde, que a dor sufocou ao canto da cama, que o amor aconteceu e já ninguém sabe se volta. É assim que se prova a imprudência? As cores dos objectos todas fora do lugar; uma ligeira corrente de ar assustada pelos malabarismos de um corpo que finalmente se entrega ao cansaço – o amor permanece? – e a lua reflectida no mar. Às vezes isto. Bastava dizeres-te aqui. Eu podia fingir olhar para o tecto, imaginar-me dentro das ausências do mundo, e esquecer o impossível. Entre o teu corpo e o meu uma vaga – ou precipício? - onde não nos deixamos cair por capricho. Adormecemos. Eu queria plantar rios, regar todas as flores, transpirar mapas e esbater fronteiras inúteis até que se rasgassem de raiva. Se no lugar do coração tivessem crescido mãos dadas os pássaros não mais se esconderiam. Venham ter comigo. Esfrego os olhos e escrevo em colapso: sou uma folha que se fechou antes mesmo de existir. Tic tac Tic tac Tic tac Tic tac. Não há tempo para vender a alma. Carrego memórias de um lado para o outro e sorrio a quem passa. Começa tu de novo, por favor: conta-me uma história de gestos vermelhos que queimam como lava e tanto salvam como maldizem. Estende-me esse olhar – e é como quem diz – Ama-me. Vem comigo. Há palavras que merecem silêncio. Mas quem é capaz de percebê-las sem antes precisar sangrá-las na sua insensatez?

8 Erro[s]:

R. disse...

Porra.

...

(e eu a gostar,cada vez mais,de ti)*

jj disse...

Wow!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!







Jinhos.

P.S. Sabes que o verbo 'compilar' não tem apenas modo Imperativo, não sabes? :)))))))))))))))))))

Mag disse...

Intenso...

FLY disse...

Ai...

(desta vez o "ai..." não é pela foto, nem pela música...)

Bj*

maré disse...

eu também Vanessa.

e é esta febre excessiva
nos invernos do sangue

Flute L disse...

Venho aqui ver-te. Muitas vezes...
É a 1ª que comento. Talvez porque partilho do sentimento, talvez porque não queira dele partilhar. Mas, enfim, creio que ambas sabemos que só há uma coisa na vida que não se pode mendigar: amor! E assim, por enquanto, até que aquela - ou o cansaço, ou o amor-próprio... - nos faça acertar o passo ou mudar de rumo, continuaremos, feito mendigas famintas, a ansiar por ele. Com dores maiores que as de um estômago a roncar...

Beijo.
Adoro o blog.

[x] disse...

que sangrem!
e sangradas
consagrem
um silencio
sagrado.

Laura disse...

Lindo...